Projeto do produtor Daniel Gaggini resultará em filme,
a ser exibido em Sousas e São Paulo
Uma oficina de cinema com todos os passos do audiovisual e com direito à produção e exibição de um filme teve início nesta terça-feira em Campinas, especialmente para 16 usuários do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. O projeto, que teve aceitação imediata da instituição, é do produtor cultural Daniel Gaggini, que há dez anos criou o Festival Cine Inclusão na capital paulista.
A partir do Festival nasceram as oficinas, inicialmente para jovens da periferia de São Paulo. A partir de 2017, o Cine Inclusão voltou o foco para a faixa etária 60+, que chega à 5ª edição este ano. Trabalhar com os usuários do Cândido, de qualquer idade, é uma exceção, uma “quebra de protocolo”, nas palavras do produtor.
Há cerca de dois anos, Gaggini trocou a capital, onde funciona a MUK, produtora que fundou em 2011, pela zona rural de Sousas, onde reside e pretende se dedicar também à agricultura. Como já frequentava o Armazém das Oficinas do Cândido, onde compra produtos orgânicos, conheceu a horta e as demais unidades de trabalho voltadas aos usuários.
Foi encanto e reconhecimento à primeira vista. Realizar a oficina e o filme, para Gaggini, é a chance de projetar nas telas o reflexo dos cuidados que o Cândido oferece. “Não é a pretensão de produzir um grande filme, mas sim a expectativa de dar voz aos atendidos pelo Cândido. Esta é também uma oportunidade de mostrar um trabalho que me surpreendeu, porque é um trabalho único”, afirma.
A primeira aula do projeto foi realizada na Casa das Oficinas, no Jardim Campos Elíseos, onde alguns usuários também se inscreveram. O fotógrafo Weslei Barba, que faz parte da equipe do Cine Inclusão, ensinou noções básicas de fotografia e vídeos com o celular, ferramenta que será usada nas captações para o filme.
Também realizou com os participantes um exercício de gravação de vídeo, com tema livre e instruções práticas, como enquadramento e postura diante da câmera. Se desses encontros sairá um filme documental ou de ficção no Cândido ainda não se sabe, os participantes da oficina é que vão decidir. Mas os efeitos da primeira aula já aparecem.
Rosângela de Lima Silva trabalha na oficina de mosaico e disse que gostaria de contar sua história. Se antes não gostava de se expor, ela participou bastante da aula, fez os exercícios e ainda deu entrevista: “Fiquei muito presa num quarto fechado, disseram até que eu ia morrer aos 50 anos. Então fui para o Caps e depois para a oficina e hoje e eu tô aqui, me sentindo a pessoa mais amada do mundo. E eu tô viva, viva!”, festejou!
Cristiane Juliano Pereira, da Oficina de Eventos, também pareceu bem à vontade: “Acho que essa oficina traz mais desinibição, na frente da câmera eu sempre me sentia meio enroscada. Também faz a gente descobrir outras habilidades que ainda não conhece, eu sou muito grata por esse projeto”
Exibições
Daniel Gaggini foi ator e, além do Cine Inclusão, já lançou uma mostra de teatro, produziu 30 curtas, cinco longas, três séries e seis espetáculos teatrais. Recebeu mais de 40 prêmios nacionais e internacionais. Tem trabalhos exibidos em várias plataformas de streaming, tvs abertas e salas alternativas de cinema. Um deles, o documentário “Luiz Melodia, no Coração do Brasil”, chegou também às salas comerciais de várias cidades do país este (Campinas não foi incluída).
As próximas aulas no Cândido serão no Núcleo de Oficinas de Trabalho (NOT), junto à sede da instituição, em Sousas. Nesta quarta-feira os participantes começam a produzir o roteiro. Na quinta, partem para as gravações.
Depois o material segue para edição na MUK. O filme será exibido entres os dias 23 e 31 de agosto, com programação gratuita em Sousas e em São Paulo, no Festival Cine Inclusão 60+, junto com as produções realizadas nas oficinas de Capão Redondo, Paraisópolis, Cidade Tiradentes, Guaianases e Heliópolis.
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Lenir Brizzi, jornalista | E-mail: lenirbrizzi@candido.org.br