Cândido Ferreira

Expectativa e emoção marcam pré-estreia de ‘Assim Somos’

Saiba como foi o dia da exibição do curta-metragem produzido com elenco do Cândido Ferreira pelo Festival Cine Inclusão 60+

O curta-metragem produzido pelo Festival Cine Inclusão 60+ com os atendidos pelo Cândido Ferreira nos projetos de inclusão pelo trabalho teve pré-estreia no Casarão no sábado, 30 de agosto. A plateia lotou o auditório Anna em clima de expectativa: fazia mais de um mês desde as gravações que encerraram a Oficina de Cinema conduzida pelos profissionais do Festival.

 

O evento começou com a apresentação do coral cênico 60+ Me Chama que Eu Vou, regido pela maestrina Beth Assumpção. Em seguida, foi exibido o documentário ‘Incomuns’, média-metragem que retrata a experiência de sete coletivos de arte, cultura e cuidado em saúde mental da cidade de São Paulo.

 

Depois foi a vez de ‘Assim Somos’. Com cerca de cinco minutos de duração, o curta documenta a atuação dos personagens em atividades artísticas, diante de objetos que eles escolheram trazer para as cenas e em momentos que celebram o cuidado em liberdade no Cândido.

 

A importância de experiências artísticas no desenvolvimento humano e psicológico de pessoas idosas e com transtornos mentais ganhou um fórum de debates logo após a sessão, com participação da doutora em artes e diretora de ‘Incomuns’, Isabela Umbuzeiro Valent; a arte-educadora que conduziu a Oficina de Cinema no Cândido, Eugênia Cecchini, e o ator Marcelo Pinta, do Centro de Convivência Toninha. A mediação foi do roteirista Victor Fisch, idealizador do festival Soy Loco por Ti, Juquery.

Poder de criação

 

O fórum destacou a necessidade de políticas públicas e de novos espaços nas cidades para arte, cultura e cuidado, especialmente em saúde mental.  O ponto de partida foi a potência criativa das pessoas e a capacidade de sobrevivência demonstrada pelos coletivos da capital.

 

Para Valent, que também é terapeuta ocupacional com experiência em saúde mental, mesmo não sendo institucionalizados, os coletivos conseguem manter vivas as redes de cuidado e apoio por meio do convívio com as diferenças. “Eles não têm financiamento, não têm CNPJ, são formados por pessoas que não têm a obrigação de existir. Estão à deriva, e o poder de estar à deriva é o poder de criação”, observou.

 

É bonito ver essas experiências acontecendo em outros espaços, em outras cidades, com outras pessoas, preocupadas em pensar a cultura, o potencial que tem a arte na nossa vida. Na vida de todos nós, mas quando a gente fala de saúde mental, essas experiencias são ainda mais transformadoras?”, disse o ator Marcelo Pinta

 

Ele ficou atento às reações dos participantes durante a exibição do ’Assim Somos’: “Vi o orgulho deles por se verem numa tela e por serem vistos. Mesmo que tenha sido uma participação pontual, dentro de um curta, isso teve um peso na vida dessas pessoas. São iniciativas assim que, de fato, valorizam a vida, a criação, a transformação”.

 

Muitos integrantes do elenco pediram para falar ao microfone. E entre mensagens de celebração ao novo sentido que o Cândido Ferreira deu às suas vidas, o orgulho por participar do Cine Inclusão ficou mais evidente nas palavras de Rosângela de Lima Silva, da oficina de mosaico: “Queria que todo mundo lá de fora estivesse aqui dentro hoje”.

 

Eles nos tocam, eu fico muito emocionado de ver como foram importantes para eles essas horas que passamos juntos e como isso refletiu na vida deles. Eu soube que muitos atores eram um pouco retraídos e agora estão mais expansivos nas suas oficinas e nos seus grupos. Eu acho que essa é a missão da arte, né?”, comentou o diretor cultural e idealizador do Cine Inclusão, Daniel Gaggini.

 

Para ele, todo o trabalho foi só um primeiro experimento. Esta foi a quinta edição do Festival, que acontece a cada dois anos, e Gaggini já vislumbra uma nova parceria com o Cândido: “A gente vai ter tempo para pensar coletivamente numa oficina talvez mais longa, com mais tempo. Acho que isso é muito importante para quem participa e para nós que realizamos”.

Foto 1: Eugênia Cecchini e Marcelo Pinta | Foto 2: Daniel Gaggini | Foto 3: Público do evento | Fotos por Wilson Cortez

Contato para a imprensa:

Lenir Brizzi, jornalista | E-mail: lenirbrizzi@candido.org.br 

Compartilhe
Tags