Cândido Ferreira

Unidos do Candinho desfila na chuva e faz jus ao samba-enredo

Sou Candinho, não vou retroceder”, cantavam felizes os integrantes do bloco
ao ganhar as ruas de Sousas debaixo de um temporal

O desfile do Unidos do Candinho no último sábado, 7 de fevereiro, foi daqueles que ficam na memória. Desde o início da tarde, usuários e profissionais do Cândido Ferreira se concentravam em frente ao Casarão, à espera do momento de sair às ruas. Outros trabalhadores da instituição e pessoas da comunidade foram chegando, formando um grupo animado e diverso.

Às 15h, o bloco iniciou o percurso. Antes que chegasse ao portão de saída, a chuva caiu forte sobre Sousas. Foi então que o samba-enredo deste ano ganhou corpo, cena e verdade. Nos braços, fitas pretas lembravam o tema O meu luto é lutar. Na voz, versos que pareciam escritos para aquele momento:
Na rua, na sua / No frio ou na chuva / Encontros, cheios de amor.

O canto seguiu firme. O refrão emocionou:
Sou Candinho, não vou retroceder / Nosso afeto é instrumento pra acessar você.
Todos seguiram em frente, encharcados e felizes. O afeto se fez presente em muitos abraços, antes, durante e depois do desfile.

Os moradores das Residências Terapêuticas também participaram, acompanhando o cortejo no trenzinho do bloco. Este ano, o desfile foi realizado com recursos de emenda parlamentar da vereadora Paolla Miguel, que também integrou a bateria.

Na chegada do bloco à Praça Beira Rio, no centro de Sousas, a chuva deu uma trégua e  outros moradores de Sousas se juntaram ao Candinho. A bateria fez uma apresentação ainda mais cheia de energia, celebrando o encontro. “Acompanho esse bloco há muito tempo e, mesmo com a chuva, não podia deixar de vir aqui hoje. É muito lindo e muito comovente esse trabalho do Cândido”, disse a professora Maria Helena Gomes, que os dois filhos adolescentes para participarem.

Depois de quatro meses de ensaios, o sentimento era de missão cumprida. “O dia chegou, e foi maravilhoso”, resumiu o mestre da bateria, Marcelo Pinta. Para o autor do samba, Clauber Reis, que transformou o luto em canto coletivo, a chuva teve um significado especial: “Veio sob medida. Estávamos mesmo precisando lavar a alma”.

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